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SINTIACR

28 de abril – Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidente de Trabalho

26/04/2011

Ferida sem cura

Valdirene João da Silva


40 anos - Seara Alimentos – Forquilhinha


Queria não sentir mais dor. Com dor a gente fica sem vontade de viver. Sofro por não poder pegar minha netinha de nove meses, da dependência de minha família, mas agradeço a Deus por ela e tenho fé. O drama de Valdirene, casada, três filhos, aposentada por invalidez, começou aos 35 anos. Após 11 de trabalho na Seara Alimentos, em 2005, teve um de seus braços comprometido pela LERDORT e o outro está parcialmente sem reflexos. A trabalhadora jamais perdeu um dia de atividade em um ritmo intenso, desossando cerca de 10 sobrecoxas por minuto em um ambiente de menos de 10º. Hoje, ingere morfina de quatro em quatro horas e outros medicamentos para depressão, além de sofrer as seqüelas causadas pela medicação, como a epilepsia. Arrependo-me de ter sido “carneira”, ter dado a vida pela empresa muitas vezes doente. No início fui abandonada pela empresa. Depois de muita luta, junto com o Sindicato, a empresa passou a custear todo o tratamento. Sem o Sindicato nem sei o que faria, desabafa. Nesse período foram 10 cirur-gias sem sucesso e briga na Justiça para garantir os direitos e principalmente a dignidade da trabalhadora. Os médicos da empresa alegavam que ela não tinha nada e não era afastada, causando agravamento da doença. Foi preciso acionar a justiça, afirma Célio Elias, secretário-geral do Sindicato. No mês de março, Valdirene resgatou a esperança iniciando um novo tratamento em uma clínica de referência no controle da dor, em Campinas-SP.

Lourenço Eduardo Bandeira Vieira
43 anos - Agrovêneto - Nova Veneza


Em 2008, após menos de um ano na agroindústria, Lourenço, sofreu um acidente de trabalho e atrofiou o braço. “Pelo ritmo excessivo, o meu braço foi prensado por uma caixa de 15 quilos e ficou torcido e fui perdendo os movimentos”. No período de seis meses, usou um gesso, tala, ortose no braço e voltou ao trabalho, mas os nervos ficaram imobilizados e a mão não abre mais. Foi afastado das atividades por três meses pelo INSS e remanejado para os serviços gerais no pátio da empresa. Com fortes dores, procurou o Sindicato para saber dos seus direitos. Após exame por especialistas, foi diagnosticado o problema como irreversível. O trabalhador entrou com processo no INSS e promotoria de justiça e foi afastado por mais sete meses.’’A empresa mandou laudo atestando que eu podia trabalhar e voltei em dezembro de 2009”. Atualmente, ingere seis comprimidos diários de morfina sintética para aliviar as fortes dores e está com processo para afastamento.

Doenças ocupacionais
As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são doenças dos ossos, músculos e tendões que afetam, principalmente, o pescoço e os braços das pessoas.
Poderiam ser evitadas se as empresas não explorassem os trabalhadores acima da proteção da sua saúde e da sua vida.
Segundo dados da Associação Nacional de Procuradores do Trabalho, os trabalhadores das agroindústrias tem 743% mais chances de ter doenças ocupacionais, principalmente nos ossos e punhos, que as demais categorias.

Enfermidades mais comuns em razão da LERDORT
* inflamações nos tendões;
* inflamações nos cotovelos;
* inflamação no punho e outros.

Queixas mais comuns
Dor - sensação de cansaço - inchaço - adormecimento - falta de força nas mãos.

Como previnir as doenças
ocupacionais nos frigoríficos
- 60 minutos de pausas de descanso para recuperação Psico-Fisiológica.
-limitação do tempo de exposição na linha de trabalho em 36, 40hssemanais.
- As pausas devem ser usufruídas fora dos locais de trabalho, em ambientes que ofereçam conforto térmico e acústico, disponibilidade de assentos, oferta de bebidas quentes e visão para o exterior;
- redução no ritmo da produção.

Ato no Dia 28 de abril - O Sindicato estará conscientizando os trabalhadores da importância de lutar por ambiente que traga qualidade a sua saúde com entrega de panfletos nas empresas. “As bandeiras da nossa mobilização que é constante, principalmente nas agroindústrias devidos ao esforço repetitivo”, afirma Célio. Na Convenção Coletiva de 2010 foram conquistadas algumas pausas na jornada diária em duas agroindústrias, mas ainda é pouco. “O Ministério do Trabalho, as agroindústrias e os sindicatos estão negociando uma Norma Reguladora (NR) para o setor com pausa de 60 minutos e tempo de exposição na linha de produção de 36, 40 minutos  semanais".

 

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